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Desvendando etapas da dinâmica de grupo

Uma roda de gente grande passa e repassa caixinhas de fósforo entoando Escravos de Jó. Cantoria feita, desponta o colega mais animado da turma, que discorre sobre os próprios defeitos: “Sou tão perfeccionista!” E deu para a seleção de emprego, a vaga vai para o colega proativo, exímio passador de caixinha e, de quebra, um líder nato.

Não é para tanto. Na disputa por uma vaga, os candidatos são submetidos a técnicas complexas, e quem é muito ator não vai longe, reza a cartilha dasconsultorias de RH. Vai bem o candidato que se mostra apto a tocar as atividades do cargo em disputa. E, se o cargo não é o de passador de caixinha, o jogo pode revelar quem manda bem em quesitos como interação com os colegasresolução rápida de problemas.

De acordo com Gustavo Sá, da consultoria Desenvolver RH, “é sempre importante citar que cada perfil de vaga exige algo específico para se analisar“:

– Ao montar as dinâmicas, é necessário que o recrutador saiba exatamente aquilo que ele deseja avaliar nos candidatos do grupo. As dinâmicas são diversas e podem ser utilizadas com um foco determinado, conforme o perfil que se busca – diz.

Para ficar ligado na pilha psicológica das dinâmicas de grupo, conheça as cinco principais etapas desse momento decisivo da seleção de emprego:

1) Técnica de quebra-gelo
É uma técnica muito utilizada no início da dinâmica de grupo, pois auxilia a tirar as tensões do grupo, desinibindo os participantes. Geralmente são atividades mais lúdicas e descontraídas, nas quais os participantes precisam se movimentar e interagir uns com os outros.

Exemplos: recortes de revistas, bate-papo com os demais integrantes e jogo da verdade. A Solucionare RH destaca como quebra-gelo a atividade História da Carruagem, que mede concentração, dinamismo e agilidade: o recrutador coloca pessoas em círculo, distribui aleatoriamente personagens e passa a contar uma história. Quando o recrutador fala o nome de um personagem, o participante que recebeu esse papel deve se levantar e bater uma palma. Quando ele disser “carruagem”, todos devem levantar e bater palmas.

2) Técnica de apresentação
Ajuda a conhecer um pouco os participantes. De forma direta ou em algum trabalho em duplas, as pessoas se apresentam, falam sobre si, suas experiências profissionais, seus gostos pessoais, rotinas, planos para o futuro e o que se sentirem à vontade para falar. É importante, pois é um primeiro momento para conhecer o candidato, mesmo que de forma rápida. Esse tipo de trabalho pode ser feito de diversas formas, mas o ideal é que seja rápido e respeite o espaço de cada um.

Exemplo: disponibilizar cola, tesoura, revistas e pedir que os participantes usem esse material para preparar o próprio crachá. O candidato depois deverá se apresentar a partir dessa criação, o que permite ao recrutador perceber se a pessoa é concisa, assertiva, descontraída, formal etc.

3) Atividade individual
O participante trabalha individualmente para demonstrar a sua capacidade criativa e de se expor perante a um grupo que muitas vezes não conhece. Geralmente são propostas redações ou trabalhos com algum case nos quais é necessário criar algo para passar ao grupo.

Exemplo: se a seleção envolve um grupo de pessoas que vai trabalhar com negociação e vendas, um exemplo é pedir para que desenvolvam um produto e o apresentem aos demais participantes.

4) Técnica de integração
Busca observar o comportamento dos participantes interagindo em grupo, observando questões como comunicação, liderança, proatividade e como os participantes se relacionam entre si. Também avalia a capacidade de produção dos participantes, simulando o cotidiano de uma empresa onde há atividades para serem entregues em determinados prazos e a necessidade de interagir com outros colegas. Geralmente são utilizadas dinâmicas mais elaboradas, com movimentação do grupo, respostas a problemas, montagens de materiais para apresentação e discussão, sempre com um determinado período para a conclusão.

Exemplo: uma possibilidade é pedir que as pessoas se olhem e descubram uma coisa em comum com outras três pessoas do grupo. Reunidas em grupo, elas têm cinco minutos para fazer perguntas umas às outras.

5) Técnica de encerramento
A última etapa visa a ter um feedback dos participantes, indagando sobre o que eles acharam das dinâmicas e técnicas utilizadas. Também é importante para passar informações gerais de como será a continuidade do processo seletivo. Geralmente é feito de forma direta: o recrutador faz perguntas para o grupo e deixa cada um à vontade para compartilhar sentimentos e impressões.

 

Andreia Teixeira, presidente da Staff RH, ressalta que as dinâmicas também são úteis em trabalhos de motivação de equipes:

– Podemos deslocar a equipe para fora do ambiente da empresa ou, se tivermos um espaço apropriado, desenvolver internamente. Existem dinâmicas externas bastante interessantes, que estimulam a confiança, o trabalho em equipe, as lideranças e a harmonia do grupo – ressalta.

Saber o funcionamento das dinâmicas é meio caminho andado, mas não vá esquecer dos comportamentos que você deve evitar, como arrogância e excesso tanto de timidez quanto de competitividade:

– Não existe melhor ou pior candidato no desenvolvimento de uma dinâmica de grupo, e sim aquele que tem o perfil mais adequado à vaga (e a cultura organizacional da empresa contratante), analisado a partir de sua participação durante a atividade – explica Loraine Bothomé Müller, professora de gestão de pessoas da PUCRS e consultora da Solucionare, acrescentando que “é fundamental que o  participante seja ele mesmo; mascarar é um péssimo negócio”.

Com tudo isso em mente, não custa desejarmos boa sorte! – porque nem sempre o sucesso depende apenas de seguir à risca os mandamentos do processo seletivo.


 

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